Ao longo de 2012 a editora contraponto surpreendeu com as suas apostas, mas não posso deixar de referir dois livros que me marcaram.

 

 

 

 
Não só porque se trata de uma autobiografia gráfica mas também porque nos fazem refletir sobre o que nos rodeia assim como a nossa vivência. O que os torna realmente fascinantes !

 

 

 

Perguntámos a Maria José Pereira , editora de BD na Leya de como é a BD em Portugal.

 

COMO É A BD EM PORTUGAL?

 

Há, em termos de publicação (e de criação) de Banda Desenhada em Portugal, uma tradição que remonta aos inícios do século XX.
Portugal teve alguns autores portugueses de renome a trabalhar em Portugal e no Estrangeiro (e vem-me à memória o E.T. Coelho, o V. Péon…) e também se orgulha de ter sido o primeiro país a publicar personagens tão célebres como o Tintin ou o Astérix.
Na célebre revista Tintin Portuguesa, por exemplo, coexistiram sempre séries já conhecidas dos leitores com novas séries/autores que lhes iam sendo revelados como novidades nacionais.

No entanto, se há algo comum às pessoas que ao longo do tempo estão ligadas à Banda Desenhada, eu diria que é a paixão; o mercado editorial em Portugal é pequeno quando comparado com o mercado de outros países – nomeadamente o de França, de onde a maior parte das obras que temos no catálogo são oriunda. Isso significa que, no nosso país e em termos comerciais, a Banda Desenhada é considerado um nicho de mercado, com toda a ginástica e dores de cabeça que isso significa para alguém que trabalha nesse ramo. Isto aplica-se a editores e aplica-se também ao trabalho de autores. As tiragens dos livros de BD em Portugal são tão pequenas que não há autores que consigam viver exclusivamente dela se não trabalharem para o mercado internacional.

Na prática, em Portugal coexistem duas BD’s: a BD mais comercial e de grande público, e a BDde autor que, sendo em termos gerais a menos conhecida, é a BD que um público coleccionador e conhecedor exige, mas que atendendo à dimensão do nosso mercado só sobrevive graças à edição da primeira. Face a esta situação, um editor de BD em Portugal trava uma luta constante para manter um catálogo equilibrado entre personagens e séries que são conhecidas dos leitores e outras que são as obras de referência.

Para além da Banda Desenhada que se publica em Portugal, existe também uma quota significativa de livros importados, que recentemente passaram a estar disponíveis e acessíveis ao público, o que estrangula ainda mais a divulgação das obras em português.

Numa época em que a leitura é preterida face a outros meios de entretenimento, deixo aqui o meu apelo para que leiam, ofereçam livros e para que se incentivem os mais novos a aprender a ler por imagens, uma vez que esta forma gráfica torna a leitura muito mais apelativa.


Maria José Pereira

 

Da nossa parte um muito obrigada pela atenção e a vocês seja muito bem -vindos a este novo espaço do esmiucaolivro!